Vinicius Pirajuba

Neste portal, você acha conteúdo exclusivo ...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Pouco dinheiro e muita sabedoria


By Vinícius Reis Miguel

Alguns dias atrás, tive o prazer de acompanhar minha bisavó de 79 anos e minha avó de 64 anos, nas suas compras semanais de feira. O local era a feira do pequeno produtor, onde é expostos produtos diretamente das pequenas fazendas da região para a cidade. Minha bisavó que se chama Onofra é uma comerciante veterana em Frutal, seu comercio que não existe mais, era no fim da Avenida José de Alencar, seu bazar de aviamentos, roupas foi o primeiro comercio da extinta “Capoeira”, vulgo nome dado ao um conjunto de bairros que ficam no Alto da Boa Vista em Frutal. Com um saber imaginável, e um dom para o comercio acompanhei a saga daquela pequena senhorinha enrugada, disfarçadamente escondidas pela maquiagem, a fazer suas compras. Ao entrar na feira me assustei com a quantidade de senhoras que vieram em nossa direção, se eu parasse para adivinhar as idades de todas, com certeza passaria de três algarismos. O jeito que elas se olhavam me lembrou minhas primas que são bem pequenas quando conversam com um brilho no olhar de que nada mais importa a não ser aquele momento. Nem mesmo tempo de um suspiro elas tinham a quantidade de informação que elas passavam a cada de minuto me deixou abismado com o talento comunicativo eram informações claras que deixavam evidente o poder de cada uma pelo seu destino. Minha avó Maria Antonia também não ficou atrás, conhecia todas que conversavam com sua mãe, olhando aquelas senhorinhas que disputavam quem conversava mais eu fiquei em “choque”. Após cinco minutos sem parar de conversar, quase nem respirando minha bisavó olhou para mim, me pegou pelo braço e me apresentou para sua amigas. Meu Deus, eu que não sou tímido e nem tenho vergonha de nada, fiquei com a cara vermelha como se eu usasse blachi, os elogios deixaram meu ego nas alturas, Antônio Fagundes, José Mayer com certeza perderia pra mim. Após longos dez minutos de conversa, elas pensaram no objetivo, as compras da feira. Minha bisavó olha para o lado e reconhece outra amiga, essa era uma concorrente do passado, minha avó a comprimenta, elas conversão sobre vendas, clientes, devedores e Onofra olha as roupas. Com um cordial “boas vendas” elas se despedem com beijos. Elas juntas, mãe e filha seguem para a verdura, minha avó olha o alface, diz para a vendedora que a muito tempo não via um alface bonito como aquele, que ele esta com as cores radiantes, que ela estava de parabéns, que a terra onde ele foi cultivado devia ser muito rica em nutrientes... Continuou a bajular a vendedora e pediu três. O desconto à vendedora disse que não poderia. Minha avó disse que se fosse feito o desconto ela seria uma cliente fiel àquela barraca de verduras. A vendera concedeu o desconto, nesse momento eu percebi que minha bisavó de 79 anos era uma “marqueteira” e tanto. Saindo da verdura , passando pelo queijo, as frutas eu vi a mesma cena da senhorinha Onofra utilizando sua “lábia” dizendo o que os vendedores queriam ouvir. Minha bisavó procurava uma galinha caipira para fazer sua famosa galinhada com arroz. Achamos outra conhecida dela, ao examinar a galinha elas constatam que a galinha é semi - caipira, eu nunca seria capaz de distinguir tal diferença que pra mim seria insignificante. A vendedora ao descobrir que aquelas clientes eram espertas e sabiam muito bem o que compravam, anunciou, “essa ai é mesmo semi – caipira”. Minha avó e sua mãe falaram baixo perto uma da outra e disseram para vendedora que não serve este tipo de galinha. Ao saírem da barraca a vendedora disse que faria um preço especial para elas se resolvessem ficar com a mercadoria. A compra foi feita eu vi o brilho nos olhos delas, pois estavam fazendo boas compras. Elas olharam pra mim e disseram que o segredo da galinhada é a cozinheira. Quer dizer não é necessária galinha caipira. E aonde elas iam todos paravam e conversavam com elas, eu pensei que tinha muitos colegas e amigos, mas perto daquelas senhoras com mais de 60 eu descobri que não conheço ninguém. Quando dei por mim já estávamos na feira a mais de uma hora, minhas mãos cheias de sacolas  e a delas também parecia que elas iam comprar a feira inteira. Decidiram finalizar as compras e despediram dos amigos e colegas da feira. Ao seguir para carro elas já sabiam o quanto havia sido economizado naquelas compras, a felicidade delas não era a economia e sim reencontrar as velhas “cumadres”, os “cumpadres” que essa geração passada tanto conserva. Minha avó e minha bisavó conversaram no caminho de volta sobre os diversos assuntos que ouviram na feira e já estavam combinando irem novamente na próxima semana. Eu tive uma aula de cidadania, marketing, educação, sociologia, religião, saúde ... (aprendi sobre vários remédios que começavam com “K” e “W” que ajudam essas senhorinhas a sobreviver) Fiz e faço minha parte com elas, adoro acompanhar minha avó e bisavó na feira a cada ida uma centena de informações eu consigo captar e perceber que o estudo não é nada perto da experiência de vida que esses professores da terceira idade adquiriram ao longo de suas vidas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Powered By Blogger